No dia do meu casamento, a realização de um dos sonhos da minha vida, eu recebi uma carta genial de um grande amigo, o Rafael Lins. abaixo a carta para você, o que estiver entre parêntesis foi adição minha para facilitar o seu entendimento. Não vou comentar nada sobre a carta, pois acho que isso pode tirar um pouco da sua livre interpretação dessa formidável mensagem. Desfrute.

Natália e Miguel,

hoje, ao acordar pela manhã, fui avisar para Madiane (uma grande amiga que temos em comum) que eu já me encontrava acordado e resolvi fazê-lo, digamos, de uma maneira simpática. Como o clima estava de lampejos e trovoadas, escrevi uma micro esquete me remetendo à viagem que em seguida faríamos. Ficou mais ou menos assim:

CENA: Raios e trovões avultam no horizonte.

MARINHEIROS: – Capitão, capitão é mister baixar as velas!

CAPITÃO: – Nada disso! Ânimo marujos! Navegar é preciso!

Nesse instante, titubeei e não consegui me lembrar d’outro verso de F. Pessoa. Fiquei as 05:00 as 08:00 espremendo a memória até que na altura de Feira (Feira de Santana é uma cidade que fica entre Salvador, onde eu e Rafael moramos, e Irecê, onde foi realizado o meu casamento) me recordei. Era este:

“Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
mas nele é que espelhou o céu.”

Pois bem, vim o caminho inteiro refletindo sobre essa frase ao mesmo tempo em que pensava em vocês dois (em mim e em Natália). É exatamente essa mensagem que quero deixar aos noivos. A alegria que Pessoa constrói aqui é que céu e inferno, ou melhor, momentos penosos e outros sublimes às vezes se encontram na mesma jornada, no mesmo lugar, na mesma pessoa.

Meu desejo, para todo o sempre, é que cada vez que problemas surgirem, e sempre surgirão, é que vocês não se esqueçam deste verso. Que sejam um para o outro o céu, o abrigo, o paraíso. E que quando um ponto fora da curva aparecer, tenham em mente:

“Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu.”

Felicidades,

Rafael Lins

Irecê, 28 de Fevereiro de 2014.